segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Assembleia sobre lançamento do edital Funcultura Audiovisual



Com um ano de atraso e abrindo mão de R$ 15 milhões dos arranjos regionais da Ancine, o Governo de Pernambuco confirmou o lançamento dos editais do Funcultura Audiovisual (2018-2019 / 2019-2020) nos dias 11 e 12 de dezembro, a partir do resultado do GT criado para pensar o redesenho dos editais, o qual se comprometeu também em não postergar a previsão de lançamento.

Diante deste cenário, convocamos as/os profissionais do audiovisual pernambucano para uma escuta que vai subvencionar, pela parte da ABD/Apeci, o Grupo de Trabalho criado junto a outras entidades representativas do Conselho Consultivo do Audiovisual, para construir os termos dos dois editais.

Próxima quarta-feira, 27 de novembro a partir de 18h no Coletivo Sexto Andar do Edf. Pernambuco.

Compareçam!

sábado, 23 de novembro de 2019

Premiação Júri ABD/Apeci | 7º Recifest - Festival da Diversidade Sexual e de Gênero



                                Foto: Arquivo Recifest


Estamos vivendo tempos nebulosos, onde sofremos diversos tipos de retrocessos na construção ideológica, econômica e política de nosso País. O governo federal parece estar empenhado em destituir todas as leis que nos protegem, todas as iniciativas que nos apóiam, todas as janelas de projeção que possuímos e a cultura aparenta ser um de seus principais alvos. Censurando filmes em mostras, acabando com editais de incentivo a cultura, criminalizando e perseguindo ativistas. Até então, nossa geração nunca havia se deparado com esses retrocessos. Lgbtqi+, mulheres, povos originários, negres, comunidades e povos tidos como minorias sociais, nesse contexto são as que mais sentem. No entanto, resistimos criando novos horizontes e narrativas que contradizem a lógica imposta a nós.

Talvez eles tenham tanta consciência quanto nós de que os meios de cultura e educação são nossa principal arma de contra-ataque a esses retrocessos. Talvez eles saibam tão bem quanto a gente, que a revolução será negra, feminista, indígena, sapatão, bicha, trans e travesti. Que quando temos consciência de nossas subjetividades, das questões que nos atravessam, possuímos também o poder de questionar o que nos acontece, porque acontece, e almejar aonde e qual lugar desejamos ocupar. E isso é uma arma bastante poderosa, pois almejamos ocupar todos os lugares.


O audiovisual se mostra como uma importante ferramenta nessa luta, pois através dele conseguimos contar nossas próprias narrativas. Espaços como o Recifest são de extrema importância, pois resistem a esse momento de cortes de investimentos e de perseguição, e são uma janela de projeção para compartilhar nossas vivências, questões e criar redes de fortalecimento.


A ABD/APECI - Associação Brasileira de Documentaristas e Curta Metragistas / Associação Pernambucana de Cineastas e o júri aqui formado por Lilit BandeiraLaíse Queiroz e Thiago das Mercês tem como papel dentro do Festival apontar o filme que se destaca a partir da representatividade social e política e reconhecer a criatividade da obra.


Pela capacidade narrativa concisa, direta e sensível, pela potência que é alcançada quando conseguimos expor nossas maiores questões buscando fortalecer os nossos, pela força da produção feita de forma independente em meio a tanto retrocesso político, decidimos oferecer uma menção honrosa para o filme pernambucano Cinema Contemporâneo, de Felipe André Silva.


Trazendo sensibilidade ao retratar a figura feminina lésbica preta de maneira tão forte e combativa, diante de contextos tão agressivos e repressores, e que atingem principalmente a comunidade negra no Brasil. E trazendo inovações técnicas e estéticas que ajudam no aprofundamento da narrativa e a entender o subconsciente das personagens, sem apresentar de maneira obvia as questões que atravessam suas existências. Conseguindo não só manter a atenção do público até o fim, como criando empatia pelas personagens e surpreendendo a todos no final, oferecemos uma menção honrosa para o filme paulista A Felicidade Delas, de Carol Rodrigues.


Pela resistência de bixas pretas e travestis num contexto tão duro e conservador, um filme que através do fascínio nos apresenta uma luta que atravessa a identidade de gênero e o próprio lugar do gênero numa data cívica de grande simbolismo para o país. Por ser fundamental na luta pela identidade cultural da população nordestina LGBTQI+, oferecemos uma menção honrosa a todos os viados e travestis de fanfarra, pelo lindo filme baiano balizando em 2 de julho de Fabíola Aquino e Marcio Lima.


Considerando a importância de fomentar o debate interseccional, trazendo a classe e a raça como pontos fundamentais para se entender as individualidades e a complexidade das questões identitárias, por trazer todas essas questões navegando pelo campo do sensível, da empatia e do afeto, pela potência política e pelo fortalecimento de mulheres lésbicas negras e periféricas. Uma outra história pode ser contada para todas e todes nós, corpos dissidentes, pois é nossa a potência de através do afeto, resistir. O Prêmio de melhor filme pela ABD/APECI vai para Minha história é outra, de Mariana Campos.


Seguiremos firmes e fortes entendendo a cultura como parte fundamental da formação identitária, não por acaso atacada diretamente pelo governo. Seguiremos produzindo, fortalecendo e valorizando as produções lgbtqia+, pretas, indígenas, periféricas, sertanejas, etc, e lutando pela construção da nossa própria narrativa. De um país mais justo e prospero para todes. 


Recife, 22 de novembro de 2019.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Júri ABD/Apeci | 7º Recifest - Festival da Diversidade Sexual e de Gênero



A 7ª edição do Recifest - Festival da Diversidade Sexual e de Gênero teve início ontem (20.11) e segue até amanhã (22.11) no Cinema São Luiz em Recife, e que neste ano, diante do cenário de retrocesso no país, e sem quaisquer recursos, convida a todas para, juntas, defendermos o cinema LGBTQ nacional. Um dos cinemas mais inventivos atualmente praticados no Brasil. Uma arte que mina sua sociedade conservadora na espinha dorsal: a heternormatividade. Não há experimentação, não há inovação, não há cinema brasileiro se não houver cinema LGBTQ brasileiro.

O júri da ABD/Apeci para esta edição do festival é formado por:


Laíse Queiroz, formada em Comunicação Social/Rádio e TV pela Universidade Federal de Pernambuco, atua como montadora no mercado audiovisual pernambucano. Em seu currículo estão filmes, programas de TV e publicidade, e tem no cinema documental seu maior foco de trabalho e pesquisa. Trabalhou em séries como Nosso Ofício, dirigida por Tuca Siqueira, e Pé na Rua, dirigida por Ivan Moraes Filho. É integrante do MAPE - Mulheres no Audiovisual PE. Vê o cinema como uma arma de transformação social. 
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Lilit Bandeira, 30 anos, travesti Paraibana residente no Recife desde 2017, estudante da graduação em Cinema e Audiovisual na Universidade Federal de Pernambuco. Seu primeiro trabalho como realizadora foi o curta independente Transborgs (http://instagram.com/transborgs) exibido na Mostra Absurda no 12º Festival de cinema de Triunfo – PE (2019), Pesquisa sound design, fotografia, montagem e experiências audiovisuais a partir de live performances que juntam projeções, corpo performance e música eletrônica, atuando como DJ e VJ. No cinema, trabalhou como maquiadora e produtora e objetos no curta Sombra de Fernanda Siqueira (2018) e como maquiadora e fotógrafa Still no curta O fio de Anti Ribeiro (2018). 
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Thiago Das Mercês, Artista visual, ator e realizador independente pernambucano, bacharel em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Investiga e dirige produções de vídeos de caráter experimental para o cenário musical recifense. Gay, atuante em movimentos sociais, de luta pela democratização do acesso a cultura e educação. Membro da atual Diretoria Colegiado da ABD/Apeci - PE.
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A programação completa do festival pode ser vista em - https://casadecinemape.wixsite.com/recifest/programacao